Shrekking: 5 mitos e realidades de namorar alguém por quem você não se atrai
Namorar alguém por quem você se atrai menos «porque vai te tratar melhor»: a tendência viral que divide o TikTok. Estratégia ou autoengano?
Namorar alguém por quem você se atrai menos «porque vai te tratar melhor»: a tendência viral que divide o TikTok. Estratégia ou autoengano?

Ilustração original do Curioso Latino.
O psicólogo Orion Taraban deu nome a isso em outubro: shrekking. Vem de Shrek, o ogro: namorar alguém que você considera menos atraente porque acredita que a pessoa vai te tratar melhor, te valorizar mais e nunca te machucar. Desde agosto de 2025 a ideia explodiu no TikTok e dividiu opiniões: para uns é maturidade emocional, para outros é conformar-se por medo. A psicologia tem respostas claras para cada mito. Estas são 5 realidades.
REALIDADE: a aparência não determina nem a fidelidade nem a bondade. Não há evidência de que pessoas menos atraentes traiam menos ou amem melhor; há de tudo em todo lugar. O tratamento que você recebe se decide no caráter da pessoa, não no rosto. Apostar seu coração num estereótipo é como escolher carro pela cor: não diz nada sobre o motor.
REALIDADE: maturidade emocional é saber o que você quer, não baixar seus padrões por medo. Escolher pelo medo de se machucar não é escolher: é se proteger. E a atração importa de verdade: relacionamentos que nascem sem desejo costumam murchar em silêncio, deixando duas pessoas frustradas em vez de uma feliz.
REALIDADE: colocar alguém num pedestal por gratidão gera desequilíbrio, não amor. Quando um sente que «ganhou» e o outro que «lhe fizeram um favor», o relacionamento vira uma dívida emocional que ninguém assinou. O amor saudável precisa de admiração mútua, não de um vencedor e um agradecido.
REALIDADE: esse estereótipo desumaniza nas duas direções: transforma o atraente em suspeito e o não atraente em prêmio de consolação. Julgar o caráter de alguém pela aparência é preconceito com outro nome, mesmo disfarçado de «estratégia de namoro». A bondade não tem CEP facial.
REALIDADE: sair ileso não é o mesmo que ser feliz. Evitar todo risco é evitar o amor de verdade, porque o amor real sempre inclui a possibilidade de perder. A pergunta honesta não é «como me protejo?», e sim «quero um relacionamento ou um seguro contra o desamor?». O coração que não arrisca também não ganha.
O amor que nasce do medo de se machucar não protege seu coração: só o deixa fora do jogo.
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