Dia dos Mortos vs Halloween: 8 diferenças que quase ninguém explica
Mesmo fim de semana, dois mundos opostos: um celebra a vida, o outro brinca com o medo. 8 diferenças entre a oferenda e a abóbora.
Mesmo fim de semana, dois mundos opostos: um celebra a vida, o outro brinca com o medo. 8 diferenças entre a oferenda e a abóbora.

Ilustração original do Curioso Latino.
Elas são confundidas porque caem no mesmo fim de semana e ambas usam caveiras, velas e fantasias. Mas a oferenda mexicana e a noite das bruxas são duas celebrações com raízes, propósitos e símbolos quase opostos. Aqui vão 8 diferenças que colocam cada uma no seu lugar.
O Halloween é comemorado em 31 de outubro: uma única noite. O Dia dos Mortos, por outro lado, ocupa 1º e 2 de novembro: o primeiro dia é dedicado às crianças, os "angelitos"; o segundo, aos adultos. E a oferenda não se monta em uma tarde: muitas famílias começam os preparativos dias antes, entre compras, flores e cozinha.
O Halloween descende do Samhain, a festa celta que marcava o fim da colheita e o início do inverno, quando se acreditava que a linha entre vivos e mortos se estreitava. Essa tradição, misturada com o cristianismo, cresceu na Irlanda, na Escócia e na Grã-Bretanha, e depois cruzou o Atlântico para se tornar a festa noturna que conhecemos hoje na América do Norte.
A celebração mexicana vem das culturas mesoamericanas, que veneravam os mortos e acreditavam que suas almas voltavam para conviver com os vivos. A jornada ao Mictlán, o mundo dos mortos, era honrada com oferendas a Mictlantecuhtli e Mictecacíhuatl, os senhores desse reino. Com a chegada do cristianismo, essa tradição se fundiu com o calendário católico de 1º e 2 de novembro: Todos os Santos e os Fiéis Defuntos.
Aqui está a diferença mais profunda. O Halloween brinca com o medo e o sobrenatural: os mortos são o susto, o perigo, a festa do escuro. O Dia dos Mortos é o oposto: uma memória alegre e familiar, uma celebração da vida de quem partiu. Ninguém monta uma oferenda para se assustar; monta para lembrar, rir e compartilhar.
O Halloween é reconhecido pela abóbora esculpida com rosto (o jack-o'-lantern), as fantasias, os fantasmas, as bruxas, os morcegos e sua paleta de preto e laranja. O Dia dos Mortos tem seu próprio universo: a oferenda ou altar, o cempasúchil que guia os espíritos com sua cor e aroma, as velas, as fotos dos mortos, sua comida favorita, as caveirinhas de açúcar —que são humor, não susto—, o papel picado e La Catrina, que nasceu como sátira e virou ícone cultural que lembra que diante da morte somos todos iguais.
No Halloween os doces viajam da casa para as crianças na porta: o clássico "gostosuras ou travessuras". No Dia dos Mortos, viajam ao contrário: os vivos os colocam na oferenda para os mortos, e quando a celebração termina, a família os come. Uns doces são pedidos; os outros são oferecidos.
A fantasia de Halloween serve para esconder a pessoa: virar outra coisa por uma noite. A caveira pintada do Dia dos Mortos faz o inverso: imita os mortos, zomba carinhosamente da morte e nasceu como piada sobre os vivos. Uma esconde o rosto; a outra o celebra convertido em caveira.
O Halloween domina a rua e a porta de casa: sai-se, bate-se, desfila-se. O Dia dos Mortos domina o altar de casa e o túmulo: o centro da celebração é a visita ao cemitério, onde as famílias passam a noite junto aos seus mortos. Uma festa sai para a rua; a outra volta para casa e para o cemitério.
E uma nuance para fechar: as duas celebrações pendem da mesma dobradiça católica de 1º e 2 de novembro. São "primos, não estranhos". Hoje no México são festejadas quase ao mesmo tempo e não é preciso escolher entre elas: filmes como Coco levaram a oferenda para o mundo inteiro, enquanto a abóbora continua reinando na noite do dia 31.
O Halloween te convida a ter medo; o Dia dos Mortos te convida a lembrar. Duas festas, uma mesma certeza: ninguém vai embora de verdade.
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Para entender a oferenda e as festas de novembro além da superfície.
Ver na AmazonRevisado pela equipe editorial do Curioso Latino. Conteúdo original para fins de entretenimento e cultura geral.